A história de Seiça confunde-se com a própria história do concelho de Ourém e da região do Médio Tejo, sendo marcada por séculos de ocupação humana, tradição religiosa, trabalho agrícola e forte espírito comunitário.
A origem do topónimo “Seiça” perde-se no tempo, encontrando-se referências à localidade em documentação medieval. Ao longo dos séculos, o território desenvolveu-se em torno da sua igreja, dos seus lugares históricos e das atividades agrícolas que constituíram, durante gerações, a principal base económica da população.
No início do século XVI, Seiça encontrava-se integrada na então Vila de Ourém e a sua igreja dependia da Colegiada de Ourém. Os habitantes da localidade viam-se obrigados a percorrer consideráveis distâncias para aceder a diversos serviços religiosos e administrativos, situação que motivou um movimento da população em defesa de uma maior autonomia religiosa.
Segundo os estudos do Padre Luciano Cristino e de outros investigadores da história local, foi em 1516 que ocorreram os acontecimentos decisivos para a criação da freguesia. Nesse ano, os representantes do povo de Seiça diligenciaram junto das autoridades religiosas e senhoriais para obter autorização para que os habitantes pudessem beneficiar de assistência religiosa própria na sua igreja.
O processo culminou com a confirmação do acordo por D. Martinho, Arcebispo de Lisboa, em 22 de agosto de 1516, constituindo este momento um marco fundamental na afirmação da comunidade de Seiça. Pouco tempo depois, em 1517, a freguesia encontrava-se formalmente instituída por determinação régia, tornando-se uma das mais antigas freguesias do concelho de Ourém.
Ao longo dos séculos, Seiça acompanhou as transformações políticas, sociais e económicas do país, preservando, contudo, uma identidade própria assente na proximidade entre as pessoas, no apego às tradições e na valorização do património local.
A Igreja Paroquial constitui um dos mais importantes testemunhos da história da freguesia. Em torno dela desenvolveu-se grande parte da vida religiosa, cultural e social da comunidade, sendo ainda hoje um elemento central da identidade seicense.
A vida da freguesia foi igualmente marcada pela agricultura, pela pequena propriedade rural e pelo trabalho das suas gentes, que ao longo dos séculos contribuíram decisivamente para o desenvolvimento económico e social do território. Neste contexto, destaca-se a forte ligação histórica de Seiça à Família Alvim, uma das mais influentes famílias da região, cuja presença deixou marcas significativas na vida económica, social e patrimonial da freguesia. Associadas a esta influência encontram-se importantes propriedades rurais, como a Quinta de Seiça e a Quinta da Mota, que desempenharam um papel relevante na exploração agrícola e na dinamização da economia local. Ao longo do século XX, a modernização das infraestruturas, a melhoria das acessibilidades, o acesso à educação e a diversificação das atividades económicas transformaram profundamente a realidade da freguesia, sem que Seiça perdesse as suas raízes, a sua identidade rural e a memória do seu património histórico.
Nos nossos dias, Seiça afirma-se como uma freguesia dinâmica, orgulhosa da sua história e voltada para o futuro. A valorização do património histórico, cultural e religioso, a preservação das tradições e a promoção da qualidade de vida da população continuam a ser elementos fundamentais da sua identidade.
Conhecer a história de Seiça é compreender o percurso de uma comunidade que, ao longo de mais de cinco séculos, soube afirmar a sua autonomia, preservar os seus valores e construir um legado que hoje constitui motivo de orgulho para todos os seicenses.
A história de Seiça é, acima de tudo, a história das suas gentes: homens e mulheres que, geração após geração, contribuíram para construir a comunidade que hoje conhecemos.
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